O setor funerário brasileiro vive um momento de transição. Segundo Tiago Schietti, especialista com atuação consolidada no segmento, o mercado nacional ainda carrega práticas ultrapassadas e resistência à modernização, enquanto países de referência já avançaram décadas na profissionalização, na experiência do luto e na gestão empresarial desse nicho. Entender o que está sendo feito fora do Brasil não é apenas uma questão de inspiração, mas de sobrevivência competitiva. Ao longo deste conteúdo, você vai descobrir os principais aprendizados que o mercado funerário brasileiro pode extrair das melhores práticas internacionais.
Por que o mercado funerário internacional serve de referência?
Nos Estados Unidos, no Reino Unido e em países da Europa Central, o setor funerário passou por uma transformação profunda nas últimas décadas. A morte deixou de ser tratada como tabu operacional e passou a ser vista como uma etapa que exige cuidado, personalização e respeito genuíno às famílias. Empresas funerárias nesses mercados investem fortemente em treinamento emocional de equipes, arquitetura acolhedora dos espaços e comunicação humanizada, elementos que ainda são exceção no Brasil.
Tiago Schietti aponta que essa mudança de mentalidade não ocorreu por acaso. Ela foi impulsionada pela pressão dos consumidores, pela entrada de grandes grupos empresariais no setor e pela regulamentação mais rigorosa. O resultado é um mercado mais maduro, com maior margem de valor percebido e fidelização real das famílias atendidas.
Quais práticas internacionais o Brasil pode adotar no setor funerário?
A personalização do serviço é, sem dúvida, um dos pilares mais visíveis nas referências externas. Em mercados como o norte-americano e o australiano, cada cerimônia é construída de forma única, levando em conta a história, os valores e os desejos da família. Esse nível de customização eleva o padrão da experiência e transforma o serviço funerário em um momento de memória afetiva, e não apenas de obrigação burocrática.
Adicionalmente, conforme destaca Tiago Schietti, a digitalização dos processos é outro diferencial marcante. Plataformas de agendamento, comunicação com famílias em tempo real, transmissão online de cerimônias e gestão integrada de documentos já são realidade consolidada em vários países. No Brasil, esses recursos ainda são adotados de forma tímida, o que representa uma lacuna e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade para empresas dispostas a inovar.

Os pontos centrais que merecem atenção incluem:
- Treinamento contínuo de equipes com foco em empatia e escuta ativa;
- Adoção de tecnologia para melhorar a jornada da família enlutada;
- Redesenho de espaços físicos para proporcionar acolhimento real;
- Criação de produtos e serviços personalizados conforme o perfil cultural da família;
- Comunicação transparente e orientada ao suporte emocional.
Esses elementos, quando aplicados de forma integrada, transformam a percepção do serviço e constroem uma reputação sólida no mercado local.
Como o Brasil pode acelerar essa transformação?
A mudança começa pela educação do próprio setor. Para Tiago Schietti, o empresário funerário brasileiro precisa romper com a visão estritamente operacional do negócio e passar a enxergar sua empresa como uma prestadora de serviços de alto impacto humano. Isso exige capacitação, abertura para novas referências e disposição para questionar modelos que, embora funcionem há décadas, já não atendem às expectativas das novas gerações de consumidores.
Nesse sentido, o intercâmbio com mercados internacionais, seja por meio de visitas técnicas, congressos ou benchmarking estruturado, é um caminho eficaz. Adaptar essas experiências à realidade cultural e econômica do Brasil é o verdadeiro desafio, pois não se trata de copiar modelos, mas de extrair os princípios que funcionam e aplicá-los com inteligência local.
O futuro do setor funerário brasileiro está na profissionalização
O setor funerário no Brasil tem potencial real para se reinventar. As referências internacionais mostram que é possível construir negócios mais sustentáveis, mais humanos e mais lucrativos quando se coloca a experiência da família no centro de tudo. Esse caminho exige coragem, investimento e visão de longo prazo, qualidades que definem os profissionais que estão liderando a transformação do segmento no país.
Sob essa ótica, Tiago Schietti reforça que o Brasil não precisa reinventar a roda, mas sim aprender com quem já percorreu esse caminho e ter a inteligência de adaptar cada aprendizado à sua própria realidade. O setor que souber fazer essa leitura com consistência será o mesmo que conquistará a confiança das famílias, a solidez financeira e o protagonismo em um mercado que, inevitavelmente, seguirá crescendo e se transformando.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
