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    Brasil

    Brasil tem quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos: o que os novos dados revelam sobre a economia digital

    Katya VorelinPor Katya Vorelin10/09/2026Nenhum comentário8 Mins de leitura
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    Brasil tem quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos: o que os novos dados revelam sobre a economia digital
    Brasil tem quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos: o que os novos dados revelam sobre a economia digital
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    Crescimento do trabalho em plataformas digitais amplia oportunidades de renda, mas também levanta dúvidas sobre jornada, remuneração, proteção social e o futuro da tecnologia no país.

    O trabalho mediado por aplicativos já faz parte da rotina de milhões de brasileiros, seja para pedir comida, chamar um carro, fazer entregas ou vender produtos online. Agora, novos dados sobre a economia digital ajudam a dimensionar o tamanho dessa transformação: cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam por meio de plataformas de transporte e delivery no Brasil em 2025, segundo números divulgados a partir de levantamento do IBGE. O crescimento mostra como aplicativos deixaram de ser apenas ferramentas de consumo e se tornaram uma importante porta de entrada para o mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, os dados levantam uma dúvida prática para trabalhadores, consumidores e profissionais de tecnologia: a expansão das plataformas está criando empregos melhores ou apenas mudando a forma como o brasileiro trabalha? A resposta envolve inovação, flexibilidade, renda, informalidade e o avanço de empresas digitais que passaram a ocupar uma posição central na economia brasileira.

    O crescimento dos aplicativos está mudando o mercado de trabalho brasileiro

    Os dados mais recentes mostram que o trabalho por aplicativos ganhou espaço significativo no Brasil. Em 2025, aproximadamente 1,96 milhão de pessoas atuavam em plataformas digitais de transporte de passageiros e entrega, o equivalente a 1,9% da população ocupada, segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua. O número representa crescimento de 18,4% em relação ao ano anterior, com a entrada de cerca de 305 mil trabalhadores nesse universo. Entre os profissionais plataformizados, cerca de 1,8 milhão tinham os aplicativos como atividade principal, demonstrando que esse modelo já ultrapassou a condição de fonte complementar de renda para uma parcela relevante da população.

    A tecnologia está no centro dessa mudança porque as plataformas funcionam como intermediárias entre consumidores, trabalhadores e empresas. Motoristas não precisam procurar passageiros individualmente, entregadores recebem demandas por sistemas automatizados e vendedores conseguem alcançar consumidores em marketplaces sem manter uma loja física tradicional. Para o usuário, essa estrutura cria conveniência e rapidez. Para quem trabalha, oferece a possibilidade de entrar rapidamente em uma atividade econômica usando um smartphone, conexão à internet e, dependendo da função, um veículo ou outro equipamento necessário.

    A flexibilidade aparece como um dos principais motivos para a adesão ao trabalho por aplicativos. Dados divulgados sobre o levantamento indicam que 26,8% dos trabalhadores escolheram essa atividade pela possibilidade de definir horários, enquanto 24,6% apontaram dificuldades para encontrar outro emprego. Outros 20,8% buscaram nas plataformas uma oportunidade de aumentar a remuneração em comparação com alternativas disponíveis. Esses números ajudam a explicar por que a economia digital atrai perfis diferentes, desde pessoas que dependem integralmente dos aplicativos até trabalhadores que usam as plataformas para complementar o orçamento.

    O crescimento também não está limitado ao transporte e às entregas. O levantamento apontou ainda a presença de pessoas que utilizam plataformas digitais para comercializar produtos em marketplaces. Esse movimento demonstra que a tecnologia está criando diferentes modelos de trabalho, incluindo prestação de serviços, vendas online, produção de conteúdo e atividades ligadas à economia sob demanda. Para o profissional brasileiro, compreender essas mudanças será cada vez mais importante, pois a digitalização não está apenas criando novas ferramentas: ela está alterando a própria relação entre empresas, consumidores e trabalhadores.

    Trabalhar mais horas para ganhar o mesmo: o desafio da renda na economia digital

    A expansão das plataformas não significa automaticamente melhora nas condições de trabalho. Os dados mostram que os profissionais que atuam por aplicativos trabalham, em média, mais horas por semana do que outros ocupados do setor privado. A jornada média dos trabalhadores plataformizados foi de 44,7 horas semanais, enquanto os demais profissionais trabalhavam cerca de 39,3 horas. Isso representa uma diferença de aproximadamente 5,4 horas por semana, um dado importante para entender como a promessa de flexibilidade pode conviver com a necessidade de permanecer mais tempo conectado para garantir determinada renda.

    Apesar da jornada maior, o rendimento mensal médio era semelhante ao registrado entre outros trabalhadores. Os profissionais de aplicativos receberam aproximadamente R$ 3.148 por mês, enquanto os demais ocupados do setor privado tiveram rendimento próximo de R$ 3.147. O problema aparece quando a remuneração é analisada por hora trabalhada: nesse cálculo, o rendimento dos plataformizados ficou cerca de 12% abaixo do observado entre trabalhadores fora das plataformas. Além disso, enquanto a renda dos demais ocupados avançou em relação a 2024, o rendimento médio dos profissionais de aplicativos permaneceu praticamente estável.

    Outro desafio importante é a informalidade. Cerca de 72,1% dos trabalhadores de aplicativos estavam em situação informal, enquanto uma parcela menor contribuía regularmente para a Previdência Social. Os dados indicam que aproximadamente 34% faziam contribuições ao INSS, contra 63% entre outros trabalhadores, o que amplia o debate sobre proteção social e segurança financeira. Para quem depende exclusivamente das plataformas, questões como aposentadoria, afastamento por doença e proteção em períodos de queda da demanda tornam-se cada vez mais relevantes.

    Esse cenário ajuda a explicar por que o trabalho por aplicativos se tornou um dos principais debates da economia digital brasileira. De um lado, as plataformas oferecem uma alternativa rápida para geração de renda e ajudam consumidores a acessar serviços com facilidade. De outro, trabalhadores e autoridades discutem regras capazes de garantir maior proteção sem eliminar a flexibilidade que atrai parte dos profissionais. Empresas do setor também defendem que mudanças regulatórias precisam considerar as características específicas das plataformas digitais. O desafio para o Brasil será encontrar um modelo que permita inovação e crescimento tecnológico sem ignorar os riscos sociais que acompanham essa transformação.

    O que muda para consumidores, profissionais e empresas de tecnologia no Brasil

    Para o consumidor, a expansão da economia de aplicativos significa acesso a uma quantidade cada vez maior de serviços digitais. Transporte, alimentação, compras, pagamentos e serviços profissionais estão sendo concentrados em plataformas que funcionam a partir de dados, algoritmos e inteligência artificial. Essa transformação pode tornar o cotidiano mais prático, mas também aumenta a dependência de empresas digitais para atividades básicas. Quanto mais serviços são intermediados por plataformas, maior se torna a importância de discutir transparência, preços, proteção de dados e responsabilidade das empresas.

    Para os trabalhadores, a principal mudança é a necessidade de desenvolver competências digitais. Saber utilizar aplicativos não será suficiente em um mercado cada vez mais automatizado. Profissionais que entendem ferramentas digitais, análise de dados, inteligência artificial e plataformas online podem encontrar novas oportunidades em áreas que estão surgindo junto com a economia digital. Ao mesmo tempo, trabalhadores precisam compreender como funcionam os sistemas que influenciam sua rotina, já que algoritmos podem determinar distribuição de chamadas, recomendações, visibilidade de produtos e outras decisões que afetam diretamente os ganhos.

    As empresas brasileiras também estão sendo pressionadas a acelerar a digitalização. Pequenos negócios podem utilizar marketplaces para alcançar novos consumidores, enquanto empresas maiores investem em aplicativos próprios, automação e inteligência artificial para reduzir custos e melhorar a experiência do cliente. A economia de plataformas cria oportunidades para startups e empresas de tecnologia, mas aumenta a competição. Negócios que não acompanham as mudanças digitais podem perder espaço para concorrentes capazes de atender consumidores com mais rapidez e conveniência.

    O avanço da infraestrutura digital será outro ponto decisivo para os próximos anos. O Brasil vem atraindo investimentos em data centers e infraestrutura voltada à inteligência artificial, impulsionados pela expansão dos serviços digitais e pela necessidade de processamento de grandes volumes de dados. Estimativas recentes do setor apontam potencial para investimentos de grande porte na área, embora a concretização desses projetos dependa de fatores como energia, conectividade, regulação e capacidade técnica. O crescimento dessa infraestrutura pode fortalecer o ecossistema tecnológico brasileiro e criar empregos especializados, ampliando os efeitos da transformação digital além dos aplicativos que o consumidor utiliza diariamente.

    A economia digital brasileira entra, portanto, em uma fase em que quantidade e qualidade precisarão caminhar juntas. O crescimento para quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos mostra que as plataformas já têm impacto profundo sobre a renda e o mercado de trabalho, mas os próximos dados serão ainda mais importantes para revelar se esse avanço será acompanhado por melhores condições e novas oportunidades. Para o consumidor, a tendência é encontrar serviços cada vez mais digitais e personalizados. Para os profissionais, será essencial combinar flexibilidade com planejamento financeiro e capacitação tecnológica. Já para empresas e governos, o desafio será estimular inovação sem deixar de lado proteção social, segurança digital e regras adequadas para uma economia que está sendo redesenhada pela tecnologia.

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    Katya Vorelin
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