Toda empresa que assume riscos, e assumir riscos é parte inevitável de qualquer negócio, em algum momento vai lidar com uma decisão que não deu certo. O que separa organizações que amadurecem desse tipo de episódio das que apenas seguem em frente sem aprender nada é a forma como esse erro é analisado depois que o resultado já apareceu.
Na avaliação de Márcio Alaor de Araújo, empresário com foco em resultados e desenvolvimento organizacional, o maior desperdício em uma decisão que deu errado não é o prejuízo imediato, mas a oportunidade perdida de entender o que levou até ele. Sem essa análise, o erro tende a se repetir sob uma roupagem diferente.
Acompanhe a seguir como transformar decisões de risco que não funcionaram em aprendizado real para a gestão, em vez de apenas arquivá-las como episódios isolados.
Por que decisões erradas costumam se repetir?
Um erro que não é bem analisado tende a voltar, ainda que disfarçado em um contexto ligeiramente diferente. Isso acontece porque a causa real da decisão equivocada, muitas vezes, não está no evento isolado, mas em um padrão de análise ou julgamento que continua ativo na empresa.
Sem um processo estruturado de revisão, é comum que a explicação para o erro fique apenas no nível superficial, algo como azar ou circunstâncias externas, sem que se investigue se havia sinais que poderiam ter sido percebidos antes da decisão ser tomada.
O papel da revisão pós-decisão
Empresas mais maduras em gestão de risco tratam a análise após uma decisão que deu errado como parte do próprio processo de gestão, não como exceção acionada apenas em crises graves. Revisar o que aconteceu, documentar e compartilhar esse aprendizado entre áreas evita que o mesmo erro se repita em outro contexto da organização.

Márcio Alaor de Araújo esclarece que essa revisão só funciona quando é tratada como momento de aprendizado, não como apuração de culpados. Quando o objetivo da análise é encontrar quem errou, em vez de entender o que aconteceu, as pessoas envolvidas tendem a esconder informações relevantes, o que compromete justamente o aprendizado que a revisão deveria gerar.
Separar o processo de decisão do resultado obtido
Um erro comum na análise pós-decisão é julgar a qualidade da decisão apenas pelo resultado final. Uma decisão bem fundamentada, com boa análise de risco, pode não dar certo por fatores fora de controle. Da mesma forma, uma decisão mal fundamentada pode, por sorte, gerar um resultado positivo.
Por isso, avaliar apenas o resultado, sem considerar a qualidade do processo que levou até ele, ensina a lição errada para a organização. O foco da revisão deveria estar em identificar se a informação disponível foi bem utilizada e se os riscos foram avaliados de forma adequada, independentemente de o resultado final ter sido positivo ou não.
Como transformar o aprendizado em prática recorrente?
Documentar decisões que deram errado, com as razões identificadas na revisão, cria um repositório de referência para decisões futuras semelhantes. Esse tipo de registro só tem valor, porém, se for efetivamente consultado antes de novas decisões de risco relevante, e não apenas arquivado sem uso prático.
Márcio Alaor de Araújo observa que empresas que criam esse hábito de consulta antes de decisões importantes tendem a repetir menos os próprios erros ao longo do tempo, porque o aprendizado deixa de depender da memória individual de quem participou da decisão original e passa a fazer parte da estrutura de gestão da empresa.
No fim, decisões que dão errado fazem parte de qualquer gestão de risco. O que determina se esse erro vira vantagem competitiva de longo prazo ou apenas um episódio esquecido é a disciplina de transformar cada revisão em aprendizado aplicável às próximas decisões que a empresa vai enfrentar.
