O pessimismo entre empresários industriais se disseminou pelo Brasil em setembro, segundo os resultados setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 25 de setembro de 2026. A perda de confiança apareceu de forma predominante nos recortes por setor de atividade, porte de empresa e região.
O cenário reforça o resultado geral do indicador, divulgado pela CNI em 14 de setembro. O ICEI recuou 1,4 ponto no mês, passando de 46,3 para 44,9 pontos. Como a marca de 50 pontos separa confiança de falta de confiança, a indústria completou 21 meses consecutivos sem demonstrar otimismo.
O índice mede a percepção dos empresários sobre as condições atuais da economia e das próprias empresas, além das expectativas para os meses seguintes. Por isso, é considerado um indicador antecedente do desempenho industrial: seus resultados ajudam a acompanhar a direção das decisões empresariais antes da divulgação de dados efetivos sobre produção e atividade.
Queda de confiança alcança diferentes segmentos
Os dados de setembro não apontam um problema restrito a uma única cadeia produtiva ou a um grupo específico de empresas. De acordo com os resultados setoriais do ICEI, a percepção negativa predominou entre diferentes setores da indústria e também nos recortes por tamanho empresarial.
A abrangência do movimento é relevante porque empresas de portes distintos enfrentam condições operacionais e financeiras diferentes. Mesmo assim, o levantamento indica que a falta de confiança atingiu tanto os grupos empresariais considerados no estudo quanto as diversas áreas geográficas avaliadas pela CNI.
O recorte regional também mostra que o ambiente de cautela não ficou concentrado em uma parte específica do território brasileiro. A disseminação do pessimismo entre regiões sugere uma percepção mais ampla sobre as condições atuais da economia e sobre as perspectivas para o curto prazo, embora o índice não signifique, isoladamente, que todas as empresas estejam reduzindo sua produção.
O que a baixa confiança pode sinalizar
A permanência do ICEI abaixo de 50 pontos tende a influenciar o comportamento dos empresários. Em um ambiente de menor confiança, decisões relacionadas a investimentos, contratações e expansão da produção podem ser avaliadas com mais cautela. A CNI ressalta que períodos prolongados de falta de confiança costumam afetar a disposição do setor para tomar esse tipo de decisão.
Isso não significa que o indicador, por si só, antecipe uma queda efetiva em todas essas áreas. O ICEI registra expectativas e percepções empresariais, enquanto os dados de produção, emprego e investimento dependem de outros fatores e são apurados por estatísticas específicas. A leitura mais direta do resultado é que o setor industrial encerrou setembro com uma visão predominantemente negativa sobre o ambiente de negócios.
Para as empresas, a combinação entre incerteza e baixa confiança pode aumentar a preferência por preservar caixa e adiar projetos cuja execução dependa de uma melhora rápida da economia. O efeito prático, contudo, varia conforme o segmento, o porte da companhia, a demanda atendida e as condições de cada mercado.
Produção teve alta mensal, mas quadro anual perdeu força
O resultado do ICEI ocorre em um momento de desempenho industrial misto. Em 2 de setembro de 2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial cresceu 0,2% em julho, interrompendo uma sequência de dois meses de queda.
Apesar da variação positiva na comparação mensal, o resultado não eliminou os sinais de perda de ritmo. O acumulado em 12 meses desacelerou para 0,6%, e a produção de julho ficou 0,5% abaixo da registrada no mesmo mês de 2025. Os números ajudam a explicar por que uma recuperação pontual da atividade não se traduziu automaticamente em maior confiança empresarial.
Em reportagem sobre o dado do IBGE, a Agência Brasil também destacou a interrupção das quedas mensais e a alta de 0,2% em julho. A combinação entre avanço pontual da produção e confiança ainda baixa indica um cenário de recuperação desigual, no qual os empresários permanecem atentos à evolução da demanda e das condições econômicas.
Com o ICEI em 44,9 pontos e o pessimismo espalhado por setores, portes e regiões, a indústria brasileira começa o fim de setembro sob um ambiente de cautela. Os próximos resultados serão importantes para mostrar se a confiança conseguirá se aproximar da faixa de 50 pontos ou se a sequência de falta de confiança continuará pressionando as expectativas do setor.
